A dívida pública e as perspectivas para o futuro

Explosão-da-dívida-pública

Busca-se incansavelmente alternativas para o desenvolvimento econômico, para o avanço e para o bem-estar social. Porém, raramente ou quase nunca são expostas as verdadeiras propostas para os problemas apontados. Desemprego, crise, inflação, corrupção, desigualdade social, dólar e juros altos são apenas alguns temas que dominam a programação de toda a mídia diariamente, das redes sociais e dos discursos para a população. Nesses dias tumultuados e preocupantes, nos quais as diferenças, a raiva e a hostilidade tomaram conta do clima, só deveria haver uma única preocupação: os milhões de trabalhadores do país que temem por seus empregos e pelos riscos que correm suas conquistas sociais.

Independentemente do que aconteça no cenário político o nosso país continuará com quase 50% de seu orçamento comprometido com a dívida pública. Esta é a crise permanente, que corrói a economia dos brasileiros. Não há, em curto prazo, nenhum governo que promoverá grandes mudanças, pois o endividamento é contínuo e crescente. Desde que o Brasil adotou uma política neoliberal, principalmente na década de 1990, quando recorreu ao Fundo Monetário Internacional e aderiu ao Consenso de Washington, com a política das privatizações das empresas dos ramos das telecomunicações, de energia, mineração etc., foi transferida do Estado para a iniciativa privada grande parte do patrimônio da população. Com o discurso de diminuir as contas públicas e reduzir o endividamento do Estado, o que prevaleceu depois de alguns anos foi o desequilíbrio econômico, no qual o povo é a grande vítima. Todavia, infeliz e melancolicamente, o condicionamento da grande mídia direciona a opinião pública para assuntos secundários, alienando a população dia após dia.

O brasileiro trabalha de janeiro a maio apenas para pagar impostos. E muitos desses dias trabalhados também são para o pagamento da dívida pública. Entre os 30 países com as cargas tributárias mais altas, o Brasil é o que devolve menos em serviços e investimentos à sociedade. Sei que pode até soar contraditório, mas a corrupção estampada nas manchetes, apesar de gravíssima, não é o principal problema do país. Sinto constatar e dizer que há ralos mais profundos. O que merece a atenção cidadã é a legalidade de muitos desvios que estão enraizados e a verdadeira armadilha que o povo se encontra. A sonegação fiscal, por exemplo, assim como o desperdício e má gestão, corroem grande parte das receitas do país.
Antes de qualquer acontecimento, que sempre esmaga a classe baixa, os verdadeiros sobreviventes diante de um cenário sombrio, sempre vale lembrar que somente no ano de 2015 foram sonegados mais de R$ 420 bilhões em impostos, além dos mais de R$ 500 bilhões que o Brasil pagou por juros de dívida pública. Todos esses gigantescos recursos beneficiam uma pequena elite, que vive de renda e precariza o desenvolvimento do país. Quando uma empresa está em crise, uma das primeiras atitudes é demitir seus funcionários, mas e quando um país está em crise?
Claro que o povo não será demitido. Entretanto, com esse sistema, o povo é legalmente escravizado.

Cabe então inverter a ótica da questão econômica: privilegiar a indústria e não a jogatina financeira, exigir produtividade e desencorajar o rentismo, enfim, recompensar a produção e o empreendimento, taxando duramente a especulação. Mais que tudo, é hora de investigarmos com cuidado e inteligência quem são os principais atores causadores de nossos problemas, sanando nossos desacertos de modo decisivo e preciso, atacando as raízes da questão.