Juventude e a inserção no mercado de trabalho

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O Estatuto da Juventude lançado pela Lei 12.853/2013 determina quais são os direitos dos jovens que devem ser garantidos e promovidos pelo Estado brasileiro, independente de quem esteja na gestão dos poderes públicos. São aproximadamente 51 milhões de brasileiros com idade entre 15 e 29 anos. O mercado de trabalho do país vive um círculo vicioso com a perda do poder de compra, queda da população ocupada, do mercado com carteira assinada e agora entramos em uma esfera ainda mais grave, porque nem mesmo o mercado informal consegue mais absorver os trabalhadores que perderam seu emprego, em especial os jovens.

Vivemos hoje uma série histórica e que quem pagará são os mais jovens, pois do ponto de vista da qualidade do emprego os reflexos não são favoráveis. Se a juventude não tiver a oportunidade da inserção formal no mercado de trabalho, com carteira assinada, teremos também uma grande perda da proteção social, principalmente para as famílias de baixa renda. Historicamente, observa-se que a juventude brasileira é uma juventude trabalhadora, que busca autonomia, que deseja uma aspiração social, porém é necessário ampliar as oportunidades de emprego de qualidade e com a sua devida proteção.

Assim como as outras faixas etárias do nosso país, a juventude brasileira é fortemente marcada pelas desigualdades de gênero e raça. O foco é sem dúvida a promoção do trabalho decente para os jovens, mas infelizmente não conseguimos falar da existência de uma política estrutural de emprego para esses jovens que buscam uma independência ou muitas vezes necessitam do emprego para completar a renda dos seus pais.

Uma das soluções seria avançar por meio do diálogo social e das políticas públicas de educação, trabalho, renda, proteção social e igualdade de oportunidades para a juventude. Sabemos que a falta de especialização reduz ainda mais o acesso dos jovens ao mercado de trabalho. Mas como ser especialista com pouca idade e muitas vezes sem nenhuma bagagem profissional? Talvez essa seja uma das perguntas que os jovens queiram a resposta.

Eu também não sou especialista, mas o que sempre é muito importante para o desempenho dos jovens, além de um currículo qualificado, a conclusão dos cursos que se propõem ingressar, o trabalho voluntário em ONGs e entidades filantrópicas também podem ser um diferencial no momento de uma decisão e também para o inserção social e a formação de histórico básico para um trabalho. Sabemos que existe um número expressivo de jovens interessados na qualificação e também no trabalho voluntário, mas são poucos que de fato ingressam ou concluem suas atividades.

Importante dizer que em 1988, a Constituição passou a proibir o trabalho para crianças abaixo de 16 anos, mas permite que a partir dos 14 possam ser contratadas como aprendizes. As pesquisas mais recentes da PNAD (IBGE) demonstrou que 45,4% dos brasileiros interessados em qualificação profissional são os mais jovens com idade de 15 a 29 anos, enquanto as pessoas entre 30 e 39 anos 25,2% e de 40 a 59 anos 25,7%.

Outro fator que contribui diretamente para o baixo acesso dos jovens na qualificação e também no mercado de trabalho é a questão da mobilidade urbana, muitos de baixa renda, ainda sem idade para carteira de habilitação e tantos outros sem condições de terem seus veículos particulares encontram na locomoção um grande entrave para o acesso ao trabalho decente, a qualificação profissional continuada. Quando trazemos essa realidade de acesso para o jovem da zona rural, também concluímos que a sua garantia para um trabalho decente ou para qualificação profissional esse cenário é ainda muito mais preocupante.

As taxas de demissões são muito maiores para os jovens do que para os adultos, ou seja, o maior empasse para o jovem é permancer empregado no setor formal. Existe ainda uma outra preocupação em relação ao jovem, são aqueles que não estudam, que não estam no mercado de trabalho ou que não procuram por um trabalho, essa preocupação é ainda maior entre as jovens mulheres, quando estabelecemos uma relação forte com a ncessidade de se dedicar as tarefas de cuidados domesticos, sobretudo quando acontece uma gravidez precoce ou inesperada. A alta taxa de rotatividade também integra um dos pontos negativos da participação do jovem no mercado de trabalho, como também a vulnerabilidade e a baixa remuneração.

Diante de toda essa análise, também devemos considerar as transformações sociais, politicas e culturais das últimas décadas e as tendências de comportamento frente aos novos contextos, principalmente os tecnológicos. A parcela de jovens ocupados que estudam e que trabalham não podem ser determinadas apenas pelo grau de interesse desse jovem em ingressar no mercado de trabalho, mas também temos de levar em consideração toda dificuldade de conseguir uma ocupação quando a busca é feita. Feito isso o que mais os jovens esperam dos governos, políticos, além da ética e honestidade é de uma inserção mais digna e ativa no mercado de trabalho por meio de melhor educação e igualdade de oportunidades.