Amada “Terra Branca”

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Seu Santo Padroeiro é o Senhor Bom Jesus. A Capital Nacional do Bordado, localizada no centro geográfico do Estado de São Paulo. Seus recursos naturais são abundantes e apresentam rara beleza. Banhada pelos rios Tietê, Jacaré-Pepira, Jacaré-Guaçu, São Lourenço, São João e Ribeirão dos Porcos, abriga uma usina hidrelétrica, que por meio do canal da eclusa, integra a importante Hidrovia Tietê-Paraná. O Gasoduto Brasil-Bolívia também passa por lá. O Jacaré-Pepira detém o título do rio mais limpo e preservado do nosso Estado. Nele está localizado o Pantaninho – a única reserva pantanosa com similaridade ímpar, tanto na fauna quanto na flora ao Pantanal Mato-grossense. Possui um charmoso Distrito chamado Cambaratiba, um aeroporto e mais de 55 mil habitantes. Hoje, com completos 125 anos de existência, inaugura a 42ª edição do seu principal evento, a internacionalmente conhecida “Feira do Bordado”. Seja bem-vindo à história de Ibitinga.

Este lugar com tantas qualidades é a minha, é a nossa cidade, local acolhedor e aprazível que meus pais escolheram para viver, assim como muitos que adotaram Ibitinga por seu aspecto hospitaleiro, que abrange toda a sua extensão de mais de 688 km². O município tem tradições culturais, artesanato, atrativos naturais, lazer, serviços de hospedagem e de gastronomia que a qualificam como Estância Turística do Estado de São Paulo. Conhecida como Capital Nacional do Bordado, sustenta-se economicamente com destaque na indústria e no comércio de roupas de cama, mesa, banho, enxoval infantil e artesanato têxtil. A Feira do Bordado ocupa hoje uma área de exposição de 25 mil metros quadrados e atrai anualmente, em média, 150 mil visitantes para a cidade. Também há a Festa de Corpus Christi, quando as ruas são atapetadas de bordados para passagem da procissão, um dos eventos mais populares e aguardados do estado, além da Via Sacra, com a encenação da crucificação de Cristo, com o tradicional Grupo de Teatro Bom Jesus.

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Além do turismo de negócios, de compras e de eventos, Ibitinga tem um importante patrimônio natural. O Pantanal Paulista, que leva esse nome por sua semelhança com o pantanal mato-grossense, corresponde às áreas de várzea dos rios Jacaré-Pepira e Jacaré-Guaçu, que banham o território. Essas áreas, inundadas pelos rios que ficam mais caudalosos na época das chuvas, mantêm-se constantemente úmidas pela permanência das lagoas e alagadiços durante a seca. Todo esse ambiente é protegido por lei (Área de Proteção Ambiental – APA de Ibitinga), pois forma um ecossistema no qual vivem espécies como capivara, búfalo, javali, tamanduá-mirim, veado-campeiro, lobo-guará, onça-parda, diversos peixes e muitas aves, dentre as quais patos selvagens e perdizes, que infelizmente seguem em processo de extinção no Brasil. Distando seis quilômetros da cidade, uma área arborizada garante o acesso público ao Rio Jacaré-Guaçu que, nesse trecho, é propício ao lazer, aos esportes náuticos e à pesca de peixes pequenos.

No centro urbano, temos lindas igrejas, monumentos culturais e de lazer, como o Passeiódromo, um projeto paisagístico que está transformando em praça toda a extensão de uma avenida, e também a Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus, que abriga a obra Via Sacra, do artista plástico Duílio Galli, além do Museu Duílio Galli, que expõe pinturas a óleo, gravuras, desenhos, serigrafias e esculturas.

A principal atividade econômica é o comércio, com mais de dois mil estabelecimentos comerciais, 1300 deles ligados ao bordado. A agricultura e a pecuária ocupam importante papel no cenário econômico de Ibitinga, assim como a avicultura e a apicultura. Apesar da crise econômica mundial e da queda do setor têxtil, a indústria de confecção representa a principal atividade econômica da cidade. A origem da atividade reside nos bordados artesanais, que começaram a ser feitos no município na década de 1950, por senhoras imigrantes da Ilha da Madeira, localizada em Portugal. A beleza e a singularidade desses bordados provocaram uma onda de crescentes novas encomendas e a constituição de uma expressiva rede de bordadeiras.

De acordo com a medida que cresciam as encomendas, a senhora pioneira nessa atividade, dona Dioguina Sampaio, foi ensinando outras senhoras a bordar. A produção artesanal e doméstica dos bordados, acoplou-se um sistema de distribuição também informal: a difusão dos produtos bordados para além das fronteiras do município foi feita ainda nos anos 1950 por uma “sacoleira”, dona Maria Braga. Esse sistema de distribuição, com vendas porta a porta, se ampliou a partir de então e se mantém até hoje, apesar da concorrência de outros canais. Na década de 1970, já existia na cidade uma grande rede de bordadeiras, que abastecia um mercado que ia além dos limites do município e do próprio Estado de São Paulo. O crescimento da demanda levou à utilização da máquina de bordar, adaptada localmente a partir de uma máquina de costura tradicional, da marca Singer. A simples instalação de um dispositivo nesse modelo permitiu aumentar a produtividade em até sete vezes.

As características do bordado praticamente não se alteraram com a introdução dessa inovação, mantendo-se o caráter artesanal do produto. Hoje Ibitinga conta com centenas de empresas de confecção de artigos de cama, mesa, enxovais para bebê e cortinas, atuando nos vários segmentos do ramo. Levando também em conta as muitas unidades que atuam na informalidade, esse número ultrapassa a casa do milhar. Considerando que o mercado brasileiro dessas confecções situa-se, atualmente, em torno de R$ 2,8 bilhões, Ibitinga representa 3% desse universo, com um valor da produção próximo a R$ 100 milhões. Os estabelecimentos com até 20 empregados, considerados de tamanho micro, representam 85% das unidades produtoras de artefatos têxteis, seguidos das médias e das grandes empresas.

No que tange à representação política, a cidade ainda se limita aos trabalhos da Câmara Municipal e da Prefeitura, além da baixa ou quase inexistente participação feminina. A sub-representação política de um município afeta diretamente seu desenvolvimento sustentável local e regional. A pequeníssima representação do município tanto no Congresso Nacional quanto na Assembleia Legislativa se reflete diretamente na ausência de políticas públicas para o setor econômico e social.

Não se pode acreditar que no mundo globalizado que vivemos apenas trabalhando localmente conseguiremos o progresso que as futuras gerações e que a Capital Nacional do Bordado merecem. Juntos, vamos cada dia mais colocar Ibitinga no mapa político nacional, levando o nome de nossa amada cidade para todos os cantos deste país. Parabéns, Ibitinga! Parabéns a vocês, amigos e amigas ibitinguenses.