A imigração no Brasil

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No dia 25 de junho, comemoramos o “Dia do Imigrante”. Imigrar significa entrar em um país que não é o seu de origem para ali viver ou passar um período de sua vida. O imigrante é aquela pessoa que se estabelece em um país estrangeiro, onde há possivelmente mais oportunidades do que no seu país de origem. Mas seria este o principal motivo que leva milhares de pessoas a deixarem seus países de origem?

Problemas comuns assolam todos os países do mundo, com grande destaque nos países chamados “subdesenvolvidos”, com um novo termo sendo mais adotado nos dias atuais, que os denominam como “países em desenvolvimento”. Dificuldades como falta de acesso a um sistema educacional de qualidade e também a uma saúde pública decente, complicações latentes em segurança, deficiências estruturais em relação à moradia, aliado ao capitalismo selvagem, que consome nossas energias diariamente, fazem com que pessoas se aventurem em outros territórios. Essas pessoas vão longe de suas pátrias de origem, à procura de oportunidades de emprego digno e renda para a sobrevivência de suas famílias. Todos estes imigrantes, com a força de seu trabalho e a vontade incansável de vencer, buscam constantemente apoiar o progresso e o crescimento do país.

Fala-se muito em globalização, já que existe um processo de aprofundamento internacional da integração econômica, social, cultural e política entre as nações, mas observamos efetivamente uma integração internacional para as mercadorias, cujo capital sempre prevalece em detrimento de todos os demais itens aqui citados e que garantiriam uma globalização realmente satisfatória a todos.

Em relação ao Brasil, sabemos que nosso país é de formação imigrante. Aqui, desde sua origem, chegaram para trabalhar as mais variadas etnias; portugueses, italianos, espanhóis, alemães, japoneses, poloneses e outros povos oriundos de quase todos os países da Europa e da Ásia. Mais de 70 nacionalidades chegaram ao Brasil com o sonho de “fazer a América”. Essas pessoas desembarcaram por aqui com o anseio de refazer suas vidas, trabalhando nas lavouras e na indústria que aqui nascia. Com isso, trouxeram contribuições expressivas para a história e também para a formação cultural da nação, além de um conjunto de heranças, como sobrenomes, sotaques, costumes, culinária e vestimentas. Até os dias atuais, e certamente para toda a nossa história, serão traços significativos para o que chamamos de cultura brasileira.

Atualmente, questões meteorológicas, conflitos étnicos ou religiosos, e também a violência em determinadas partes do mundo fizeram com que o número de pessoas forçadas a fugir de suas casas subisse para um recorde de 60 milhões em 2014, segundo o Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas para os Refugiados. De acordo com a própria ONU, os países em desenvolvimento acolhem 86% dos que fogem da guerra ou perseguição. Outro dado ainda mais alarmante: metade dos refugiados no mundo é formada por jovens e crianças de até 18 anos de idade.

No Brasil, uma das principais portas de entrada para o país é o Amazonas, mais especificamente o município de Tabatinga, que fica na tríplice fronteira, entre Brasil, Colômbia e Peru. A cidade recebe principalmente os haitianos, que vieram ao país por causa do terremoto ocorrido em 2010, à crise política e ao desemprego, que atinge 70% da população daquele país. Trata-se de um território devastado por diversos fatores, com um povo que sofre com a miséria e com a fome. Esses nossos irmãos que imigram em busca de emprego precisam ser acolhidos, amparados e atendidos com os mesmos projetos de qualificação profissional que servirão à população nativa, como somos acolhidos também em outros países quando saímos daqui, fato que acontece com grande frequência e há muito tempo.

Existem algumas ações que são desenvolvidas para facilitar o acesso dos imigrantes ao mercado de trabalho, como por exemplo a emissão de Carteiras de Trabalho aos imigrantes haitianos, que se encontram em situação de risco na capital paulista. Todavia, ações como estas não exterminam todos os problemas que giram em torno das questões relacionadas à imigração, temática que deve ser discutida pela sociedade brasileira, que muitas vezes esquece a sua formação. Somos um povo miscigenado, oriundo dos quatro cantos do planeta, sendo uma mistura que começou há mais de quinhentos anos, quando os europeus chegaram a este pedaço de terra e se depararam com os autóctones, ou seja, os nativos do Brasil – os índios. Discriminar ou simplesmente dar de ombros aos problemas vivenciados pelos nossos irmãos imigrantes é ignorar nossas raízes e esquecer que o sangue brasileiro é branco, preto, amarelo, vermelho, enfim, uma grande mescla de raças, cores, crenças, costumes e culturas.

O Dia do Imigrante é uma oportunidade incrível para um exame de consciência em relação ao respeito às diferenças e ao amor ao próximo, dois quesitos tão esquecidos ultimamente. Pense no seu prato predileto, no seu ritmo musical preferido, no livro que mais gosta, na viagem mais gostosa que fez. Pesquise sobre tudo isso e verá a importância do outro, do diferente, do estrangeiro, do imigrante na sua vida. E, antes daquela macarronada italiana, daquele samba com raízes africanas, do livro britânico do bruxinho que voa, do passeio norte-americano no castelo do camundongo mais famoso do mundo… celebre as diferenças e brinde o estrangeiro! Bem-vindo ao Brasil, imigrante!

Alliny Sartori
Presidente do Solidariedade Ibitinga/SP